Enquanto esperava pelo atendimento no consultório do meu dentista resolvi folhear umas daquelas revistas que ficam na sala de espera, e eis que haviam algumas que não eram "Caras". Milagre!
Bem, acabei me deparando com um exemplar de 6 de maio de 2009 da revista Veja que continha um artigo da fabulosa Lya Luft entitulado "Esse poço tem fundo?" - do qual desavergonhadamente me apoderei - onde a autora discorre sobre a indiferença das pessoas diante de fatos que deveriam nos deixar se não revoltados, pelo menos preocupados. Segundo ela, "a maioria, talvez para suportar os desencantos, dá de ombros, dizendo que é isso mesmo, as coisas são assim, no Brasil é assim, no mundo inteiro é assim..."
Não é de estranhar que a leitura do texto me remeteu imediatamente ao caso de Natan e outros tantos que acontecem todos os dias. Somente chama a atenção e causa comoção os casos envolvendo celebridades, que são explorados à exautão pela midia sensacionalista (preciso lembrar do caso do goleiro Bruno ou da menina Isabela Nardoni?)
Parece - pelo menos essa é a minha impressão - que as autoridades só se mexem diante das câmeras e dos holofotes: prendem, vasculham tudo, interrogam. Enfim, fazem o que deveriam fazer em qualquer caso. Mas nem todos dão "ibope", né?
Uma sociedade torna-se muito frágil quando os seus intergrantes - ou seja, NÓS - reagem com "um dar de ombros" diante de casos como os de Natan - e quantos Natans não devem existir por aí? As pessoas comentam como se fosse corriqueiro sair matando a torto e a direito, roubando, enganando etc.
Quem ainda acredita na justiça, nos políticos, na polícia? "Quem ainda tem fé nas instituições?" Essa incredulidade contagia e faz com que as coisas piorem cada vez mais. Quando fingimos não saber, quando não ligamos para o que acontece à nossa volta estamos colaborando para o desenvolvimento de uma sociedade mais injusta, mais violenta, mais hipócrita. Estamos colaborando para a impunidade.
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