terça-feira, 27 de julho de 2010

Policial. Heroi ou vilão?

Frequentemente somos brindados com atos de heroismo praticados por policiais que atuam com presteza e sabedoria diante de situações de difícil decisão. São prifissionais que honram a categoria a qual pertencem e nos faz sentir orgulho da instituição. Mas, por outro lado, somos também surpreendidos por atitudes covardes e mesquinhas por parte de agentes completamente desequilibrados e corruptos. Vamos nos ater apenas aos casos mais recentes e de maior repercussão nacional para exemplificar.
Fico a imaginar como um pai conseguirá conviver daqui para a frente com a culpa pela morte do filho, atingido na cabeça porque ele não parou quando da solicitação do policial. O pai alega que não viu a sinalização feita pelo policial, no entanto, mesmo que ele esteja mentindo - no que eu não acredito - por que o policial atirou? "Legítima defesa e de terceiros?" Total desequilíbrio!
E os policiais que abordaram os atropeladores do filho da atriz global num tunel interditado para o tráfego? O que dizer de pessoas desse quilate? Corruptos! Safados! Mesquinhos!
Afinal, o que está acontecendo? Como devemos proceder quando somos abordados por policiais? Como podemos distinguir um policial de bom caráter de um bandido de fardas?
Bons e maus elementos estão presentes em todas as categorias profissionais, contudo, quando se trata de segurança pública não podemos ter dúvidas: ou confiamos ou não. O que ocorre atualmente é que vivemos num mato sem cachorro. A instituição policial está caindo no descrédito da população de forma vertigiosa, a ponto de muitos se sentirem mais seguros morando próximos a traficantes. "Aqui ninguém mexe em nada." é o que dizem. Ou então "Quando some alguma coisa falo com o chefe da boca e logo se dá um jeito."
Mas continuo acreditando que há uma saída: EDUCAÇÃO. Não esta que temos aí, onde se finge que educa; onde se busca apenas um diploma como se um pedaço de papel fosse o suficiente para fazer de alguém uma pessoa digna e educada. Não. Estou falando de ensinar os verdadeiros valores; ensinar a criança e ao adolescente a pensarem por si só e não absorverem passivamente tudo que lhes é oferecido como bom e verdadeiro. Nossos jovens precisam ter visão crítica do mundo que os cerca e não ficar aceitando os falsos valores éticos e morais que lhe são impostos a todo momento.
A criança e o adolescente precisam de um ensino onde aprendam a aprender; onde eles possam desenvolver suas habilidades cognitivas e afetivas para que futuramente sejam policiais que nos faça respeitá-los e não temê-los; admirá-los e não odiá-los.
Quanto a ser heroi ou vilão, acho que levará muito tempo ainda para decidirmos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

HEIN, PAI, MATARAM NATAN!

Foi assim que recebi a notícia da sua morte quando meu filho chegou a casa para o almoço.
Tive a oportunidade de conviver com Natan durante a curta permanência dele neste mundo, mas foi o suficiente para conhecer o pernambucano contador de histórias, conversador e irreverente que veio para esta cidade em busca dos seus sonhos: tornar-se advogado e dar melhores condições de vida para a sua família. Mas um tiro (só um?) acabou com todos os seus sonhos; um tiro de “legítima defesa” dado na cabeça; um tiro que não só atingiu o jovem nordestino, mas também a sociedade naquilo que ela talvez mais preze: a segurança.
Não questiono as intenções da vítima quando retornou ao local do ocorrido portando uma faca, porque nada que ele tenha feito dentro ou fora daquele estabelecimento justifica tamanha brutalidade, principalmente vindo de alguém supostamente treinado para lidar com situações adversas e com a segurança pública.
Só nos resta agora esperar e torcer para que a justiça que “tarda, mas não falha” seja feita e que todos os fatos sejam apurados devidamente para que a sociedade e, principalmente os familiares do estudante, tenha uma resposta definitiva para o caso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Esse poço tem fundo?

Enquanto esperava pelo atendimento no consultório do meu dentista resolvi folhear umas daquelas revistas que ficam na sala de espera, e eis que haviam algumas que não eram "Caras". Milagre!
Bem, acabei me deparando com um exemplar de 6 de maio de 2009 da revista Veja que continha um artigo da fabulosa Lya Luft entitulado "Esse poço tem fundo?" - do qual desavergonhadamente me apoderei - onde a autora discorre sobre a indiferença das pessoas diante de fatos que deveriam nos deixar se não revoltados, pelo menos preocupados. Segundo ela, "a maioria, talvez para suportar os desencantos, dá de ombros, dizendo que é isso mesmo, as coisas são assim, no Brasil é assim, no mundo inteiro é assim..."
Não é de estranhar que a leitura do texto me remeteu imediatamente ao caso de Natan e outros tantos que acontecem todos os dias. Somente chama a atenção e causa comoção os casos envolvendo celebridades, que são explorados à exautão pela midia sensacionalista (preciso lembrar do caso do goleiro Bruno ou da menina Isabela Nardoni?)
Parece - pelo menos essa é a minha impressão - que as autoridades só se mexem diante das câmeras e dos holofotes: prendem, vasculham tudo, interrogam. Enfim, fazem o que deveriam fazer em qualquer caso. Mas nem todos dão "ibope", né?
Uma sociedade torna-se muito frágil quando os seus intergrantes - ou seja, NÓS - reagem com "um dar de ombros" diante de casos como os de Natan - e quantos Natans não devem existir por aí? As pessoas comentam como se fosse corriqueiro sair matando a torto e a direito, roubando, enganando etc.
Quem ainda acredita na justiça, nos políticos, na polícia? "Quem ainda tem fé nas instituições?" Essa incredulidade contagia e faz com que as coisas piorem cada vez mais. Quando fingimos não saber, quando não ligamos para o que acontece à nossa volta estamos colaborando para o desenvolvimento de uma sociedade mais injusta, mais violenta, mais hipócrita. Estamos colaborando para a impunidade.

sábado, 10 de julho de 2010

Polícia apura ameaças contra Kapi

Fico feliz em ver o número de seguidores do blog aumentando a cada dia. Isso significa que as pessoas tem interesse no caso, não por pura curiosidade, mas sim para acompanhar o desenrolar dos fatos e saber que a justiça será feita.
Vamos unir nossas forças! Não se calem!
Não vamos permitir que esse caso caia no esquecimento, com certeza a justiça não tardará a se manifestar.

Acompanhe abaixo mais uma notícia publicada hoje na Folha da manhã online.

Kapi: Polícia faz diligências para apurar ameaças

A delegada adjunta da 134ª Delegacia de Polícia (Centro), Ana Paula Oliveira determinou que diligências fossem iniciadas para apurar a denúncia de ameaça de morte, sofrida pelo diretor teatral, poeta e articulista da Folha da Manhã Antônio Roberto de Góis Cavalcanti, o Kapi. A denúncia foi formalizada na manhã de quinta-feira, um dia depois em que Kapi recebeu uma ligação anônima. O fato foi apresentado na ocasião, ao Ministério Público Estadual. As informações solicitadas pela delegada estão em sigilo, para não atrapalhar as investigações, de acordo com os inspetores que atuam no caso.
O órgão judicial e a Polícia Civil, com base no depoimento do diretor Teatral levantam hipótese do crime ter sido em razão da vítima estar à frente de um manifesto para que a execução do ex-estudante de direito Natanael Odilon Pereira da Silva, 29 anos, o Natan, não caia no esquecimento.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Amigos apoiam Kapi e mostram solidariedade

Todos admiramos quem tem coragem, mas nem todos a possui, ou não possui o suficiente para se expor e clamar por justiça. E é isto que estamos fazendo, em especial Kapi, que foi amigo de Natan e, inconformado com a covardia que resultou na morte do amigo, usa o que tem ao seu alcance - as palavras - para que o caso não caia no esquecimento. E o resultado vem em forma de ameaça, o único meio que restou para quem não tem argumentos e sim a truculência, o uso da violência como única forma de resolver seus impasses.
Abaixo as demonstrações de apoio a Kapi publicadas hoje na Folha da manhã on line.


Depois de Kapi denunciar no Ministério Público Estadual, ter sofrido ameaça de morte, amigos, artistas e ícones da área cultural de Campos, falaram sobre o assunto, considerando absurdo que a simples cobrança por justiça para um caso de execução possa resultar numa tentativa de coação. A manifestação mostra o grau de reconhecimento e respeito que Kapi conquistou na sociedade campista.
“Acho absurdo que nosso amigo Kapi tenha recebido ameaças de morte. Está em seu direito de cidadão em pedir justiça para um crime bárbaro acontecido com o rapaz”. Orávio de Campos SoaresSecretário de Cultura
“De uns tempo pra cá virou política da polícia matar antes e perguntar depois. Kapi me ligou logo após a ameaça. Está buscando justiça para Natan, morto de forma bárbara”. Adriana MedeirosAtriz, professora e poeta
“Vi no jornal hoje e fiquei surpreso com isso. É um absurdo ser coagido por que está denunciando. Quando uma pessoa levanta voz pedindo justiça, recebe ameaças de morte”. Fernando RossiPromotor cultural do Sesi
“Lamentamos muito porque as ameaças foram contra Kapi, uma pessoa voltada para as artes e a cultura, além de ser ético e que por isso busca justiça para seu amigo”. Vilmar Rangel, relações públicas e acadêmico da ACL
“Se Kapi está recendo ameaça deve ser pelos acusados da morte do Natan. Cabe agora a Polícia investigar e dar proteção a Kapi. Só quem tem culpa no cartório, ameaça”.Lúcia TalabiAtriz e educadora
“Tudo terrível (a morte do Natan e ameaça de morte). Se vermos bem o índice de jovens mortos em Campos, é assustador. E ainda quando se pede justiça é ameaçado de morte”. Rafael SanchesEducador e artista
“Acho que as pessoas que fazem denúncias têm que ter segurança. Há vários crimes que as pessoas não denunciam por medo. Kapi tem força e, com certeza, vai continuar”. Sidney NavarroAtor
“Kapi fez certo em denunciar. Esperamos da polícia a proteção nessa situação de ameaça. A atitude de Kapi foi louvável para que o caso realmente não seja esquecido”. Luiz Celso AlvesPresidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB
“Acho absurdo que um escritor, poeta, artista, seja ameaçado por cobrar justiça. O MP, polícia e judiciário devem descobrir o responsável pela ameaça e apurar e julgar o caso Natan”.Aluysio Abreu Barbosa, Diretor de redação da Folha
“Qualquer elemento não tem o direito de afrontar a lei. O que Kapi está fazendo deveria ser obrigação de todo homem e mulher de bem, quando se depara com injustiça.” Martinho SantaféJornalista
“Este é mais um caso de impunidade, em que o cidadão comum está refém tanto do bandido quanto da polícia. Kapi quer apenas que este caso não caia no esquecimento.” Adriano MouraProfessor
“A tarefa dele é pedir justiça e com isso, está recendo ameaças. O que tenho a fazer é cumprimentar Kapi pela coragem de se posicionar em mundo tão caótico e tão doente”.Arlete SendraProfessora da Uenf

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Kapi recebe ameaça de morte

O fato de não calarmos está incomodando. Quem estará por trás das ameaças?

O diretor de teatro, poeta e articulista da Folha da Manhã, Antonio Roberto de Gois Cavalcanti, o Kapi, denunciou hoje à tarde, no Ministério Público Estadual (MPE), em Campos, ter sido ameaçado de morte — hoje ele vai à 134ª Delegacia Legal registrar o fato. A ameaça, segundo ele, aconteceu por volta de 1h30, por telefone. Do outro lado da linha, uma voz firme e forte ameaçou: “Você vai morrer seu f.. d... p... Você fala demais”. Kapi afirma que, por não ter inimigos, acredita que a ameaça só pode estar associada ao fato de ele ser um dos amigos do jovem pernambucano Natanael Odilon Pereira da Silva, o Natan, 29 anos, morto na madrugada do último dia 24 de maio em frente a uma boate na avenida Pelinca. Desde então, ele e alguns amigos do rapaz se mobilizam pedindo justiça. Natan foi morto pelo PM lotado no 32º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Macaé, cabo João Manoel Pereira Gandra.Desde a morte do amigo Natan, Kapi escreveu pelo menos seis artigos sobre o fato no seu espaço semanal publicado pela Folha, sempre às segundas-feiras. “Não se trata de cobrança. O que a gente quer é que o caso não caia no esquecimento, apesar do empenho do Ministério Público”, afirmou. Ele lembra que, mesmo diante das evidências apontadas no inquérito concluído pelo delegado Maurício Barros, com base na necropsia do Instituto Médico Legal (IML) que aponta execução, foram negados pela 1ª Vara Criminal de Campos, dois pedidos de prisão contra o autor dos cinco disparos que ceifaram a vida do rapaz: um feito pelo próprio delegado e outro pelo MPE.Leia a matéria completa na edição de amanhã.

Fonte: Folha online de 07/07/2010.

domingo, 4 de julho de 2010

Sem novidades

Estamos aguardando o desenrolar dos fatos na esperança de que tudo seja esclarecido o mais breve e da melhor forma possível. A família de Natan merece.

Não sabemos ainda se a solicitação de prisão temporária do PM defensor-dos-pobres-e-oprimidos-que-atira-na-cabeça-por-legítima-defesa-e-de-terceiros, feita pela promotora do caso, foi aceita. Esperamos que desta vez o meritíssimo juiz aceite a solicitação, para o bem das sociedades campista e macaense.
Um abraço e até breve.