Deu na Folha
“As versões apresentadas pelo autor e testemunhas em sede policial são mentirosas”. Esta é uma das frases que compõem a conclusão do delegado responsável pelo caso, Maurício Barros, com base no laudo pericial da morte do pernambucano Natanael Odilon Pereira da Silva, o Natan, 29 anos, morto em frente de uma boate na Pelinca, dia 24 de maio, vítima de disparos feitos pelo policial militar de Macaé João Manoel Pereira Gandra, que estava de folga e alegou legítima defesa e de terceiros. O laudo, entregue na segunda-feira à família de Natan, concluiu que a vítima foi atingida por quatro tiros na cabeça e um de raspão — o que coloca em xeque a alegação do cabo Gandra. Ontem, o comandante do 32º BPM de Macaé, Alnyr Ribeiro, informou que não houve modificação administrativa e o policial segue normalmente em serviço.
Na representação por prisão cautelar temporária feita pela Polícia Civil, no dia 28, — posteriormente negada pela 1ª Vara Criminal —, é relatado que, pelo laudo do exame cadavérico, a vítima levou o primeiro tiro “por trás da cabeça (nuca), vindo a cair no solo e recebeu mais quatro tiros (um de raspão na testa)... o perito descreve outros elementos, citando a posição dos filetes de sangue perpendicular a horizontal, pois os ferimentos de onde emanou o sangue foram feitos quando a vitima estava deitada, do contrário o sangue escorreria pelo queixo, peito, etc (...)”.
O comandante do 32º BPM informou que nenhuma modificação foi tomada em relação ao cabo Gandra e que não foi notificado sobre nenhuma decisão judicial nesse sentido.
O comandante da 6º Comando de Policiamento de Área (CPA), que coordena o batalhão de Macaé, Paulo Cezar Vieira, relatou que os novos rumos apresentados pelo laudo não baseiam o julgamento interno da PM.
— O processo administrativo que a PM abre nesses casos é independente da judicial. Há todo um cuidado para não invadir a parte criminal nesses processos, já que essa apuração cabe à polícia judiciária, que é a Polícia Civil. Caso contrário, existiriam dois julgamentos. O que vemos no processo administrativo é ver se o policial cometeu falhas técnicas, morais e éticas e tenho certeza que isso será abordado no processo administrativo — informou.
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